Seminário Internacional
Infâncias Sulamericanas

Crianças nas Cidades, Políticas e Participação

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A consolidação do campo da sociologia da infância, em interlocução com outros campos das ciências sociais e humanas, como a antropologia, a geografia, a educação, a história, a filosofia, o direito, a arquitetura, constitui uma área conhecida como estudos da infância. Pode-se verificar, nacional e internacionalmente, um aumento na produção de pesquisa sobre a infância pela ótica das ciências sociais, que privilegia a exploração de metodologias com crianças e avança na compreensão da infância e das crianças no mundo contemporâneo, o que instiga a compreender os contextos nos quais as crianças estão ativamente engajadas como atores sociais, com seus próprios objetivos, entendimentos e contribuições simbólico-materiais, assim como sua inserção em ordenações inter e intrageracionais e outras estruturas, nas situações cotidianas de institucionalização socioeducativa e nos espaços urbanos e outros espaços que ocupam.


Ainda que seja recente uma troca mais ampla entre pesquisadores da América do Sul ou a parceria em projetos mais abrangentes de investigação, a possibilidade de superar as diferenças linguísticas e culturais, e de fazer emergir a pesquisa com crianças, metodologias e abordagens, tornou-se mais consistente a partir de contatos facilitados pela busca da interlocução sul-sul. Nessa linha, faz todo o sentido apostar em temas comuns e buscar compor quadros com investigações com temáticas semelhantes, desenvolvidas por diferentes países, e, mais do que isso, por pesquisadores de diferentes formações acadêmicas, num caminho de interlocução interdisciplinar, como demanda o estudo da infância.


Assim, um dos temas que buscamos destacar foi a vida das crianças nas cidades. O que se tem estudado, produzido e discutido sobre meninos e meninas que vivem em cidades, provavelmente como decorrência da concentração da população nos lugares onde estão os serviços e as possibilidades de emprego? Sabe-se que mudanças nos padrões de trabalho adulto, nas estruturas e dinâmicas familiares, no trabalho pedagógico, na organização e delimitação de percursos de circulação, nos espaços de moradia e dos serviços públicos são elementos de impacto na organização social das vidas das crianças, incluindo onde elas passam o tempo, com quem elas passam e como esse tempo é estruturado e organizado. O que se pode dizer sobre a vida das crianças nas cidades... como reconhecer a agência infantil nas alternativas de vida em comum no espaço urbano?


Estudar a participação da infância na sociedade significa repensar as práticas e os discursos que permitem a compreensão, o reconhecimento e a inclusão destes atores sociais. Compreender a participação das crianças nos diferentes contextos sociais em que vivem implica buscar conhecê-las a partir delas próprias e suas distintas práticas. Além do interesse na participação das crianças nas instituições, pretende-se ainda conhecer as relações das crianças com a cidade, objeto visto como oportuno para o reconhecimento de como tem-se dado ou não a participação das crianças em âmbitos e condições diversificadas, tais como, moradias populares e ocupações, praças e ruas.


Em síntese, dando sequência aos estudos e contatos com pesquisadores e universidades sul americanas, este evento, organizado em cooperação com a rede internacional de pesquisadores Southern Childhoods, tem como objetivo refletir sobre infância em países da América do Sul, suas relações com espaços urbanos, a participação das crianças e suas intervenções na cidade, e, ao mesmo tempo, discutir políticas, ações do Estado e dos movimentos sociais, buscando compreender as crianças nas relações macrossociais.


Pretende questionar, analisar e fomentar a produção do conhecimento no campo dos estudos da infância e divulgar ações voltadas para a presença e o registro das práticas sociais de meninas e meninos em diferentes arenas. Pretende ainda evidenciar as pesquisas, desafios, abordagens teóricas, procedimentos metodológicos, de modo a delinear e, possivelmente, constituir e fortalecer uma rede de pesquisadores do campo.


Para tanto, busca-se: